As 2 qualidades fundamentais que fazem um jogador de poker vencedor

Trabalhar em um grande grupo de mídia do poker por muitos anos me colocou perto dos maiores jogadores do mundo. Além de cumprir minhas tarefas profissionais, eu aproveitava cada segundo para aprender com eles.

Vou contar duas histórias de grandes jogadores, Nacho Barbero e Gabriel Goffi. Uma envolve foco e a outra envolve confiança.

História 1

Punta Cana Poker Classic. O Main Event seguia por um dos seus dias iniciais e parei à frente da mesa do NachoBarbero. Fiquei observando seu jogo e, em dado momento, ele tomou uma bad daquelas dolorosas.

Ele ficou muito possesso e até bateu na mesa com força. Normal, né? Mas menos de um minuto depois ele já estava com a cara mais serena do mundo. Resultado: chegou à mesa final do torneio alguns dias depois. Faturou uma bolada.

É normal você ficar puto com uma bad. Mas você não pode deixar isso afetar seu jogo na sequência do torneio. Foco!Tenha foco, meu amigo. Execute sua estratégia, faça seu jogo e não deixe que nada te influencie ou te tire do rumo.

História 2

Essa eu ouvi do próprio Gabriel Goffi. Na época que ele jogava cash-games high stakes, contra os melhores do mundo (e essa época, lá pelos anos 2010, o Goffi fazia parte desta elite), ele participava de mesas com limites de 5, 10 e 20 mil dólares, variando entre elas ao mesmo tempo.

Nas mesas de 5 e 20 mil, Goffi era extremamente lucrativo. Mas nas mesas de 10 mil o ferro era grande e em alguns meses o prejuízo bateu os US$ 300 mil. “Eu simplesmente não conseguia vencer. Os profissionais não eram diferentes, mas alguma coisa naquele limite estava me barrando. Comecei a acreditar que era a pessoa mais azarada do mundo quando jogava nas mesas de 10K e que eu não devia estar jogando esse limite”.

Após uma profunda análise, com a ajuda de um mental coach, Goffi notou o seguinte:

– na primeira estava confiante e sentindo um poder incrível (5k)
– na terceira, adrenado, confiante e agitado (20k)
– na segunda, encolhido e com medo (10k)

Notou que a palavra confiante aparece duas vezes, justamente nas mesas onde ele era lucrativo? Pois bem, é isso: o medo de perder tira a vontade de ganhar. Confiança é fundamental. O medo transformava Goffi inconscientemente em outro jogador, perdedor. Depois que percebeu isso, voltou a jogar com confiança nas mesas de 10K e, adivinhem, passou a ser lucrativo nesse limite também. 

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